quarta-feira, 17 de agosto de 2011

A Gestão do Crédito

Publicada por José Manuel Dias



Qualquer unidade económica, por pequena que seja, tem desde o início da sua actividade uma preocupação : vender, quer se trate de bens ou de serviços.
Sucede que nem todos os clientes pagam a pronto, recorrendo, por isso, ao crédito.
Em épocas de crise, este instrumento facilitador das vendas ganha, ainda, maior importância devendo, por isso, ser objecto de atenção redobrada.
gestão do crédito é, pois, uma área estratégica nas organizações empresariais. O modo como as empresas estruturam os respectivos serviços de gestão de crédito pode representar, ou não, uma vantagem competitiva em relação aos demais concorrentes.
Um sistema de gestão e controlo de crédito deve ter em consideração:
1) a natureza do negócio;
2) o mercado onde opera;
3) o volume e natureza dos débitos;
4) os recursos disponíveis.
Existem, no entanto, alguns princípios genéricos que devem ser observados:
a) definição políticas de crédito, isto é, regras de conduta comercial e financeira que balizarão a concessão de crédito;
b) organização de uma base de dados de informações que concorra para a uma avaliação dos riscos dos clientes;
c) cobertura do risco de concessão de crédito através de um seguro adequado;
d) criação de uma estrutura de gestão e recuperação de crédito com colaboradores habilitados e motivados.
A gestão de uma empresa não deve descurar a obtenção de informação que lhe permita aferir a qualidade e eficiência das cobranças. Uma empresa que venda e não receba é uma empresa destinada à insolvência. Definir políticas de crédito, velar pela sua boa aplicação, estar atenta aos sinais de alerta juntos dos seus clientes, definir uma metodologia de recuperação pela via extrajudicial e ser célere nas cobranças em sede de Tribunal, são requisitos essenciais a empresas que se desejam competitivas.
Para aprofundamento desta temática, sugerimos a leitura do livro " A gestão do Crédito - como vantagem competitiva" de António Sarmento Baptista, Editora Vida Económica, Porto, 2004.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Crédito Fácil, quem não quer ?


Infelizmente esse é um tema que vem inundando os noticiários (e a cabeça de muitos) diários: As pessoas “precisam” cada vez mais de crédito.
Seja crédito para compra do automóvel, seja para comprar um imóvel, seja para comprar algo para sua casa, ou até mesmo para cobrir algum rombo no orçamento, o crédito financeiro está cada vez presente em nossas vidas. Mas será que ele é realmente tão necessário ou as pessoas que não estão sabendo como usá-lo ?

Crédito Fácil !

A promessa de dinheiro fácil tem atrapalhado a vida de muitos brasileiros nos últimos anos, afinal se você quer alguma coisa que não pode comprar, é muito fácil, basta solicitar uma linha de crédito e pronto ! O problema é que isso tem feito com que muita gente compre coisas que não precisam, são coisas que querem mas que na verdade não precisam …
Não sabe a diferença entre querer e precisar ? Pense um pouco …
O crédito fácil é realmente o que o próprio nome diz: fácil. As pessoas conseguem financiamentos como quem comprar um sorvete … chega na loja diz quanto quer e pronto ! Nenhuma pesquisa mais aprofundada é feita. Limite máximo para empréstimo (em relação à renda da pessoa) ? Pra quê ? Pode emprestar à vontade …
Diz a lenda que o limite que as instituições de crédito podem oferecer é o equivalente a 30% dos rendimentos da pessoa, e nisso deve ser somado todos os tipos de crédito: imobiliário, do automóvel e pessoal. Cada instituição tem olhado somente o seu lado e pronto.
O que aconteceu ? Pessoas com mais de 50% da renda já comprometidos com financiamentos !!
O crédito facilitado é muito importante, quem não gosta de ter acesso ao crédito fácil que muitas financeiras oferece ? O problema é que esse crédito precisa ser bem usado, se realmente for preciso, que o seja somente em casos de emergência … e não para comprar aquela TV de 52 polegadas que está na promoção para colocar na sua sala de 6 m² …
crédito facilitado é fundamental para uma economia saudável, mas uma arma para quem não sabe usá-lo.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Um terço dos brasileiros não tem condições de pagar suas dívidas

SÃO PAULO –Cerca de um terço da população brasileira não tem condições de pagar suas dívidas. Do total, 32,8% disseram que não terão condições de pagar as contas em atraso. Os dados são do IEF (Índice de Expectativas das Famílias), divulgado nesta quarta-feira (3) pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).
Os dados mostraram que apenas 16,4% dos entrevistados acreditam que terão condições de honrar os compromissos, enquanto 47,8% responderam que conseguirão quitar parcialmente.
Por regiões, 43,5% das famílias do Centro-Oeste declararam ter capacidade de pagar totalmente suas dívidas, ao passo que no Norte e Sudeste está concentrada a maior parcela dos que dizem não poder pagar seus débitos, 55,9% e 36,4%, respectivamente.
Valor das dívidas
No que diz respeito ao valor médio da dívida dos brasileiros, este aumentou 2,06% em julho, na comparação com junho, ao passar de R$ 4.343,95 para R$ 4.433,65.
Frente a agosto de 2010, quando o índice começou a ser publicado, houve queda de 18,30%, uma vez que, no oitavo mês do ano passado, a dívida média do brasileiro estava em R$ 5.426,59.
Peso da dívida
Em relação ao peso da dívida no orçamento das famílias, em 22,8% dos casos, ela representa entre metade e toda a renda mensal;  em 21,9%, o dobro da dívida. Em 23,3% dos casos, porém, ela representa de duas a cinco vezes a renda mensal.
Os dados mostraram ainda que, em 15,7% dos casos, as dívidas representam mais de cinco vezes a renda mensal e, em 16,3%, até metade da renda da família.

Crédito imobiliário bate recorde no primeiro semestre, diz Abecip


Em 2011, financiamento com dinheiro da poupança foi de R$ 37 bilhões.
Crescimento no período foi de 55%.

Do G1, com informações da Reuters

Os recursos concedidos pelo Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) para financiamento imobiliário atingiram um recorde de R$ 37 bilhões de janeiro a junho, alta de 55% sobre o mesmo período de 2010, informou nesta quarta-feira (3) a associação que representa o setor no país, Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip).
A expectativa da Abecip é que, em 2011, o volume de financiamentos concedidos com recursos da poupança chegue a R$ 85 bilhões, o que seria que seria um crescimento de 51% em relação ao ano passado, quando foram concedidos  R$ 56,2 bilhões. “Com viés de alta", estima o presidente da Abecip, Luiz Antonio França.
Considerando apenas o mês de junho, foram financiados 46,5 mil imóveis financiados, aumento de 13,8% em relação a um ano antes.Nos seis meses até junho, foram financiados 236,5 mil imóveis pelo sistema, volume 26% maior em relação ao mesmo período de 2010.
O  valor dos imóveis financiados em junho somou  R$ 7,78 bilhões, o que representa um aumento de 48% em relação a um ano antes.
De acordo com o presidente da Abecip, Luiz Antonio França, a expansão do crédito reflete também um aumento da confiança do consumidor no financiamento imobiliário. Dados apresentados pela Abecip nesta quarta mostram que, em 2005, o percentual médio financiado na compra de imóveis era de 47,8%. Em 2011, passou para 62,7%.


"As pessoas têm mais confiança no financiamento", avaliou França.

As cadernetas de poupança mostraram recuperação em junho, com captação líquida de R$ 1,91 bilhão  após dois meses consecutivos de resgates. Segundo a Abecip, foi o melhor resultado do ano para a aplicação.
Com informações da Agência Estado

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

O Caminho do Cheque Pré



Saiba o caminho do seu cheque pré-datado depois de emitido
Empresas de factoring compram cheques com deságio de 5%, em média.
Oficialmente, cheque pré não existe; veja cuidados na hora de emitir.
 

Darlan Alvarenga 
Do G1, em São Paulo
Cheque pré-datado, oficialmente, não existe, nem está previsto em qualquer legislação. Mas é uma realidade consolidada do mercado brasileiro e alimenta também um mercado de venda e repasse destes compromissos de pagamentos. Ou seja, um cheque dado numa loja tem uma boa chance de ir parar nas mãos de terceiros. Alguns lojistas usam o pré-datado para pagar fornecedores. Outros repassam para empresas que antecipam o pagamento ao lojista, cobrando uma taxa, o chamado factoring.

Oficialmente, o cheque pré-datado não existe. Segundo a Febraban, um cheque apresentado será pago mesmo que a data seja futura.
Essas empresas costumam comprar pré-datados com um deságio de, no mínimo, 4%. Somada à taxa de prestação de serviço, a taxa gira em torno de 5%. Funciona assim: o lojista recebe, por exemplo, um cheque de R$ 100, pré-datado para ser depositado só daqui a um mês; para não ter que esperar 30 dias para receber aquele valor, o comerciante repassa o cheque para uma empresa de factoring, que paga em torno de R$ 95 pelo cheque, assumindo os riscos por aquele pagamento, mas também se comprometendo a não depositá-lo antes da data combinada.
O presidente da Associação Nacional das Sociedades de Fomento Mercantil - Factoring (Anfac), Luiz Lemos Leite, afirma que, embora o factoring não possua uma regulamentação própria, trata-se uma atividade totalmente legal, respaldada pela Lei das Vendas Mercantis. “Uma circular do Banco Central de 1988 reconheceu o factoring como atividade mercantil. Factoring não é banco, não é financeira, não pode fazer empréstimo, não pode captar recursos de terceiros, só trabalha com pessoas jurídicas e só atua na compra de direitos mercantis”, explica.

Cheque pré X cartão

Alguns comerciantes consideram mais vantajoso trabalhar com cheques pré-datados e repassá-los para essas empresas do que trabalhar com cartão de crédito. “Por causa das taxas das operadoras de cartão, que costumam cobrar mais de 6%, o cheque pré-datado ainda continua sendo muito utilizado, sobretudo nas pequenas cidades”, afirma Antonio Carlos Donini, presidente da Associação Brasileira de Factoring (Abfac), entidade com 140 empresas associadas.

As empresas do ramo garantem que os cheques são colocados então sob custódia, sem ser renegociados, e que só são depositados na data combinada com o cliente. “Jamais vamos depositar antes, pois isso iria contra o nosso negócio e quebraríamos a confiança depositada pelos nossos clientes”, afirma Sara Duarte, gerente de expansão da Knox Invest, que inaugura no próximo mês sua primeira unidade franqueada.

As empresas de factoring costumam também manter um departamento de cobrança para negociar o recebimento de cheques devolvidos e, se for o caso, até mesmo conduzir a cobrança judicial. Segundo a Knox, o procedimento padrão é sempre tentar entrar em contato com a pessoa que emitiu o cheque, antes de reapresentá-lo ao banco. “O praxe é tentar uma negociação entre 15 e 30 dias. Depois disso, o cheque vai para protesto em cartório”, explica.
Há casos também em que os clientes preferem comprar de volta os cheques devolvidos para eles mesmos fazerem a negociação com seus clientes ou então para evitar dificuldades na venda de um novo lote de cheques para a factoring. Neste caso, os comerciantes costumam pagar uma multa de 10% sobre o valor do cheque, mais juros de 1% ao mês.

Cuidados na hora de dar um pré-datado

A Federação Brasileira de bancos (Febraban) orienta os correntistas a só darem cheques pré-datados quando o consumidor tiver certeza de que o credor irá depositá-lo nas datas combinadas.
O papelzinho com o ‘bom  para’ ou ‘chorãozinho' não é garantia de nada, pois trata-se de uma forma de pagamento baseada exclusivamente na relação de confiança entre vendedor e cliente.

“Pela lei, um cheque é pagável quando for apresentado ao banco, mesmo que tenha sido emitido com data posterior. Assim, se um cheque pré-datado for apresentado para pagamento antes do dia previsto, o banco terá de pagá-lo ou devolvê-lo por falta de fundos”, informa a Febraban.
Embora, oficialmente, todo cheque seja enquadrado como uma ordem de pagamento à vista, a apresentação de um pré-datado antes da data pode ser considerada como quebra de confiança, dando margem a pedidos de indenização na Justiça por danos morais.
Assim, o recomendado é que o consumidor faça constar sempre em algum espaço do próprio cheque a data em que este deverá ser apresentado. E não se esqueça de controlar esses cheques em seu orçamento, anotando os valores e respectivas datas, de forma a evitar também a possibilidade do cheque ser devolvido.

Mais de 3 mil empresas no país

A Anfac estima que existam mais de 3 mil empresas no país operando no mercado de compra de recebíveis oriundos de operações mercantis. Os dados da entidade mostram que seus 550 associados movimentaram R$ 80,7 milhões em 2010, uma alta de 7% em relação a 2009, com uma cartela de cerca de 140 mil clientes, em sua maioria, médias e pequenas empresas.
“A grande empresa tem outras fontes de recursos como bancos, bolsas e mercados de capitais. O factoring surgiu para atender o pequeno empresário que precisa de um mecanismo mais fácil e menos burocrático para fazer um giro de capital ou resolver um problema de estoque”, afirma Leite.
Sara Duarte  conta que o factoring ganhou impulso no Brasil após a crise internacional de 2008, quando a oferta de crédito dos bancos ficou mais restrita. “Passamos a ser uma alternativa menos burocrática para suprir a necessidade de capital de giro das empresas”, diz.
Segundo ela, embora as taxas aplicadas sejam geralmente mais altas que as cobradas pelos financiamentos bancários, o factoring acaba sendo uma opção para comerciantes que estejam com restrição de crédito.
"O cheque pré-datado foi criado por conta da confiança estabelecida no comércio. E a factoring veio para confirmar essa relação de confiança e oferecer um mecanismo para o lojista aumentar seu estoque e capital de giro", afirma Sara.