segunda-feira, 28 de março de 2011

O terror de volta à Câmara

Do Blog da Paola:Deputados distritais estão preocupados com a onda de denúncias que assolou a Câmara Legislativa nos últimos dias. Depois de um início de legislatura com acusações de favorecimento da família por parte do deputado Benedito Domingos (PP), quando esteve à frente da Administração de Taguatinga, os parlamentares enfrentam agora denúncias variadas contra outros quatro colegas, três deles da base do governo: Chico Vigilante (PT), Chico Leite (PT) e Alírio Neto (PPS), além da oposicionista Celina Leão (PMN).
O clima não poderia estar pior no Legislativo. O primeiro problema é o desgaste que as denúncias provocam na já abatida reputação da Casa. O segundo é o aumento da tensão entre políticos, temerosos de que a onda acabe por arrastá-los também. Para a população, uma outra preocupação: a de que o número de denunciados seja grande o suficiente, ainda mais sem oparecimento de novos vídeos, para que eles proponham um acordão de “ninguém investiga ninguém”.
Fica a torcida de todos os brasilienses, de nascimento ou de coração, para que todas essas denúncias sejam apuradas, que os culpados sejam punidos e que a cidade possa, enfim, seguir em frente sem novos fantasmas.

Alírio diz que não deixará GDF


Do Correio BrazilienseO atual secretário de Justiça do GDF, o distrital licenciado Alírio Neto (PPS), acusado pelo delator da Caixa de Pandora, Durval Barbosa, de receber mesada mensal de R$ 90 mil na gestão do ex-governador José Roberto Arruda, afirmou que não pretende deixar o cargo. Ele disse que conversou com o governador Agnelo Queiroz (PT), na última sexta-feira, para esclarecer o que estava acontecendo. “Fui ao Buriti esclarecer a denúncia, que é mentirosa. Estou num cargo que o governador pode tirá-lo a hora que quiser. Mas não dá para parar o trabalho de Brasília porque Durval decidiu atacar todas as pessoas”, argumentou.
Em depoimento ao Ministério Público, em março do ano passado, Durval revelou os supostos repasses feitos a Alírio Neto, que, à época, também estava à frente da Secretaria de Justiça. O ex-secretário de Relações Institucionais do GDF teria declarado, ainda, que o recurso era desviado de empresas contratadas pelo Detran e pela Secretaria de Justiça. Alírio Neto garantiu que jamais recebeu dinheiro dele. “Nunca recebi nenhum tostão do governo. Por que Durval não apresenta uma fita? A palavra dele só vale assim”, ironizou.
Em nota, o GDF informou que não tem conhecimento oficial sobre qualquer denúncia contra o secretário e que nas duas apurações já realizadas nada consta contra Alírio Neto que o impedisse de assumir o cargo. O presidente da Câmara Legislativa, Patrício (PT), afirmou que eventuais representações protocoladas contra o deputado licenciado na Casa serão investigadas. “Nada vai ficar embaixo do tapete”, disse.

Secretário do DF acusado de receber propina

Da Folha de S. PauloO atual secretário de Justiça do governo do petista Agnelo Queiroz, no Distrito Federal, é acusado de receber propina do mensalão do DEM, de acordo com depoimentos até agora inéditos do delator do esquema de corrupção na capital do país. Durval Barbosa, denunciante do escândalo, revelou à Promotoria do DF que encaminhou repasses de R$ 90 mil mensais a Alírio Neto (PPS), quando o secretário ocupava a mesma pasta na gestão do ex-governador José Roberto Arruda.
Segundo Barbosa, Alírio era um dos beneficiários de parte dos R$ 220 mil desviados mensalmente do Detran. O dinheiro, segundo ele, era arrecadado junto a empresas de informática contratadas pelo Detran e pela Secretaria de Justiça e Cidadania.
Alírio Neto nega as acusações e diz que elas têm motivação política.

Barbosa detalha a participação do secretário no esquema em dois depoimentos no dia 14 de setembro do ano passado. Não faz menção a vídeos registrando a entrega do dinheiro a Alírio, que presidiu a CPI criada para investigar a corrupção no DF.
Barbosa afirma nos depoimentos que “eram arrecadadas propinas” junto a duas empresas que prestavam serviços de informática no Detran e uma na Secretaria de Justiça e Cidadania. “Por determinação do então governador Arruda, parte desses valores era repassado diretamente ao deputado distrital Alírio Neto, então secretário da referida pasta”, afirmou Barbosa.

Quem repassava a propina ao secretário, segundo os depoimentos, era o policial aposentado Marcelo Toledo, que aparece em um dos vídeos gravados pelo delator entregando dinheiro. Ao falar sobre a Secretaria de Justiça, o delator afirma que os repasses de R$ 90 mil foram feitos no quando Alírio permaneceu na pasta- de fevereiro e novembro de 2009. No caso do Detran, Barbosa diz que Arruda determinou que cerca de 30% do arrecadado na área de informática do Detran fosse entregue a Alírio e ao ex-deputado Leonardo Prudente.
O secretário de Justiça e Cidadania do DF, Alírio Neto (PPS), negou todas as acusações do delator do mensalão do DEM e disse que as declarações de Durval Barbosa têm motivação política. Segundo Alírio, ele e Durval sempre foram de grupos adversários dentro da Polícia Civil do DF. O secretário disse desconhecer os depoimentos prestados pelo delator à Promotoria do DF, mas afirmou saber que Barbosa fala mal dele “há muito tempo”. ”Todo mundo que ele acusa, apresenta vídeo. É fácil falar, quero ver um vídeo com minha imagem e minha voz.”
O governo do DF informou não ter “conhecimento oficial sobre qualquer denúncia contra o secretário”. Procurado pela Folha, o advogado de Marcelo Toledo disse que não o localizou. Também não foi localizado o defensor do ex-deputado Leonardo Prudente. Os advogados de Arruda não atenderam ligações da reportagem.

Gurgel é cobrado por parlamentares e entidades

Do Estado de S. PauloO encontro secreto entre o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, e o ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda, revelado pelo Estado, foi alvo de duras críticas, no meio jurídico e no Congresso. “Isso está fora do script. Não pode ser normal. Isso não observa a procedência normal que se deve ter entre o réu e o Ministério Público”, reagiu o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Ophir Cavalcanti. O encontro também causou surpresa no Congresso e o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) já anunciou que vai pedir uma audiência com o procurador a fim de que explique o encontro.
Para Ophir, é no mínimo “estranho” que Gurgel tenha tido essa conversa com Arruda sem relatá-la nos autos do inquérito sobre o “mensalão do DEM” no Distrito Federal. “Na democracia, não se pode ter encontros sigilosos. Não é recomendável”, afirmou o presidente da OAB. “A melhor conduta, num momento desses, não deveria ser essa.”
Reportagem publicada pelo Estado revelou que Gurgel escondeu um encontro que teve com Arruda no dia 2 de setembro do ano passado. A reunião sigilosa ocorreu fora da sede da Procuradoria-Geral da República e sem a presença dos advogados do ex-governador. A conversa foi sobre o esquema de corrupção no DF, mas Gurgel não o relatou nos autos do inquérito conduzido pela subprocuradora Raquel Dodge no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Ela, aliás, ficou de fora do encontro.
Uma semana depois dessa reunião, o ex-governador concedeu uma entrevista à revista Veja, só publicada na semana passada, em que menciona nomes de parlamentares do DEM, seu ex-partido, que teriam sido ajudados financeiramente por ele durante sua gestão no governo do Distrito Federal. Somente Gurgel tem competência para investigar deputados e senadores.
O deputado Chico Alencar quer que o procurador inclua o teor dessa reunião com Arruda no inquérito sobre o caso. “A narrativa do encontro tem de estar nos autos. Não foi um encontro entre amigos”, argumentou. “Vamos pedir uma audiência, que não seja secreta, com o procurador para nos informarmos em que pé estão as investigações do mensalão do DEM”, anunciou Alencar.
Ele pretende reunir um grupo de parlamentares para o encontro com Gurgel. No início da semana, o deputado vai procurar os senadores Cristovam Buarque (PDT-DF), Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) e Pedro Taques (PDT-MT), que é procurador de carreira. “Há notícias de que procedimentos espúrios podem estar prosseguindo no Distrito Federal”, ressaltou Alencar.
Ao Estado, Gurgel confirmou a reunião, realizada no gabinete do procurador Alexandre Camanho, que não tem ligação com o caso. Justificou ter se tratado de “conversa preliminar” que, na avaliação dele, não deveria ser transformada em depoimento.
Citados por Arruda na entrevista à Veja, os deputado ACM Neto (DEM-BA) e Rodrigo Maia (DEM-RJ) evitaram opinar sobre o encontro dele com Gurgel. “Não tenho como avaliar isso”, alegou Maia. “Esse é um assunto do próprio Ministério Público”, observou ACM Neto. Presidente do DEM na época em que estourou o escândalo, Maia tem repetido que todas as doações recebidas pelo partido nas eleições foram contabilizadas e entregues à Justiça Eleitoral.

Gurgel encontrou-se com Arruda

Do Estado de S. PauloO procurador-geral da República, Roberto Gurgel, escondeu um encontro secreto que teve com o ex-governador José Roberto Arruda. A reunião sigilosa entre investigador e investigado, que durou pelo menos uma hora, ocorreu fora da sede da Procuradoria-Geral e sem a presença dos advogados de Arruda. O teor da conversa foi o esquema de corrupção no Distrito Federal, mas Gurgel não o relatou nos autos do inquérito conduzido pela subprocuradora Raquel Dodge no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Ela, aliás, foi excluída do encontro.
A reunião, inusitada dentro de uma investigação deste porte, ocorreu no dia 2 de setembro de 2010, às 8h, no gabinete do procurador Alexandre Camanho, no 11.º andar da Procuradoria Regional, um prédio que fica a cinco quilômetros da sede da PGR, em Brasília, onde trabalham Gurgel e a própria Raquel Dodge. O procurador Alexandre Camanho não tem qualquer ligação com a investigação. Por ser procurador regional, não tem atribuição de cuidar do assunto. Mesmo assim, participou do encontro como intermediário.
Arruda ainda não prestou nenhum depoimento oficial no inquérito que tramita no STJ e investiga o chamado “mensalão do DEM” no Distrito Federal. Quando foi ouvido na prisão, em março de 2010, o ex-governador permaneceu em silêncio. No encontro em setembro, Gurgel teria pedido uma ajuda informal ao ex-governador, mas nenhum dos presentes diz o que Arruda ganharia em troca.
No dia 9 de setembro, uma semana depois de encontrar o procurador-geral, Arruda concedeu uma entrevista à revista Veja, só publicada na semana passada, em que menciona nomes de senadores e deputados do DEM, seu ex-partido, que teriam sido ajudados financeiramente por ele durante sua gestão no governo do DF. Por terem foro privilegiado, esses parlamentares só podem ser investigados pelo procurador-geral da República.
A reportagem do Estado procurou Gurgel, Camanho e Arruda, os únicos que participaram da reunião. Na versão apresentada pelo procurador Alexandre Camanho, Arruda o procurou para intermediar uma conversa com o procurador-geral da República. “O governador manifestou interesse em colaborar com as investigações e pediu para encontrar o procurador Roberto Gurgel. O procurador-geral perguntou onde estariam as provas e os documentos dessa colaboração e agradeceu. Nada além disso”, disse.
Camanho, que confirmou ao Estado a data do encontro em 2 de setembro, afirmou que em nenhum momento se discutiu um acordo de delação premiada, benefício que dá ao investigado o direito de colaborar com as investigações em troca de diminuição de uma eventual pena. Segundo ele, foi Arruda quem pediu para não levar os advogados. Dentro do Ministério Público, sabe-se que Camanho já havia procurado Arruda em julho, a pedido de Gurgel, para discutir uma ajuda às investigações.
Estado tentou falar pessoalmente com Gurgel para saber o teor da conversa com o ex-governador do DF, mas ele se negou a responder. Por intermédio da assessoria de imprensa, o procurador-geral da República disse que a versão dele é a mesma de Alexandre Camanho.
A reportagem indagou Gurgel por que aceitou conversar informalmente com Arruda, já que, segundo o próprio Camanho, não se discutiu a concessão da delação premiada. Gurgel disse, por meio da assessoria, que teve uma conversa “preliminar” com o ex-governador e que entendeu que não era “útil” transformá-la em depoimento. Por isso, afirmou Gurgel, o encontro não está nos autos do inquérito no STJ. Questionado se a procuradora Raquel Dodge foi informada sobre o encontro secreto, Gurgel não respondeu. Disse só que trabalha “em conjunto” com ela.
Já Arruda não quis falar sobre o assunto. Seus advogados, que ficaram de fora da reunião, dizem que “desconhecem” o encontro. Até hoje aguarda-se a denúncia à Justiça contra os envolvidos no escândalo, que estourou em 2009 na “Operação Caixa de Pandora” com base em depoimentos de Durval Barbosa, delator do esquema. Obrigado a deixar o DEM, Arruda foi cassado e passou dois meses preso.

Teia de apadrinhados políticos


Do Correio BrazilienseAntônio Abrão Hizim é advogado, faz bico como vendedor de couro, mas o que tem lhe ocupado a maior parte do tempo desde janeiro é a rotina na Câmara Legislativa. Irmão da distrital Celina Leão (PMN), ele cuida de assuntos administrativos no gabinete da parlamentar, que mal inaugurou o mandato e já entrou na mira do Ministério Público e da Polícia Civil por suposto envolvimento em desvio de dinheiro em Samambaia e suspeita de conivência com a manutenção de servidores fantasmas na época em que era chefe de gabinete de Jaqueline Roriz (PMN).
Como outro funcionário qualquer, Abrão Hizim dá expediente na Câmara Legislativa. Sempre com uma pastinha debaixo do braço, circula com desenvoltura pelos gabinetes dos colegas de Celina. Foi Abrãozinho, como é tratado carinhosamente pela irmã, quem esteve à frente, por exemplo, da negociação de cargos e salários dos funcionários que compõem a equipe da deputada. Apesar da função que exerce, esse não é um caso clássico de nepotismo. Simplesmente porque Abrão não está formalmente contratado pela Câmara. Faz um “trabalho informal” e recebe “uma ajudinha financeira” da irmã. Abrão é casado com Camila Calazâncio, uma das enteadas de Manoel Neto, que era empregada do gabinete de Jaqueline Roriz entre 2007 e 2010. “Sou representante de couro aqui em Brasília, mas como meu trabalho é muito por telefone, acaba me sobrando tempo”, disse Abrão ao Correio. A deputada contou que recompensa a dedicação do irmão. “Abrãozinho me ajuda muito desde a campanha. Sempre que posso, pago umas contas para ele”, disse Celina.
Irmãos
A situação de Abrão é apenas uma das esquisitices do organograma montado pelos distritais com os cargos comissionados. Outra excentricidade: trabalham no gabinete de Celina três irmãos. Dois deles, Sandro de Moraes Vieira e Sílvio de Moraes Vieira, estão lotados lá oficialmente. O terceiro, Alcidino Júnior, tem rotina parecida com a de Abrão. Cumpre tarefas na Câmara em nome de Celina, mas não está oficialmente no gabinete. Na última terça-feira, Maria Balbina de Moraes Vieira foi nomeada com CL 14 de R$ 8,6 mil para a secretaria executiva da Comissão de Ética e Direitos Humanos da Câmara. Maria é mãe de Sandro, Sílvio e Alcidino e foi indicada para o cargo por Celina Leão, que é a presidente da Comissão. Antes, a família Balbino, como é conhecida na Câmara, era vinculada ao gabinete de Eurides Brito, cassada no ano passado por ter embolsado o dinheiro de Durval Barbosa.

Juninho, o Alcidino, não pode ter vínculo formal na Câmara, pois estaria em estágio probatório de três anos como técnico penitenciário. Conseguiu licença do emprego na Secretaria de Justiça sob o argumento de exercer atividades para o sindicato que representa a categoria. Porém é visto no dia a dia da Câmara, tendo acesso, inclusive, ao plenário, que é restrito a servidores da Casa ou do GDF com atuação na área parlamentar.
Jaqueline Roriz foi eleita para a Câmara dos Deputados, mas deixou herança no Legislativo local. Acomodou uma de suas afilhadas no gabinete da irmã Liliane Roriz. Angélica Veras dos Anjos era assessora de plenário de Jaqueline. É requisitada do Serviço de Limpeza Urbana (SLU) para atuar no Poder Legislativo. Entre os colegas, é vista com desconfiança. Há quem acredite que ela ainda mantém vínculos políticos com Manoel Neto, marido de Jaqueline e desafeto de Liliane, de quem é cunhado. Outra ex-funcionária de Jaqueline também foi mantida na Casa. Fabíola Pereira dos Santos ficou alojada no gabinete de Celina Leão por 11 dias e depois foi transferida para o bloco Avanço Democrático, do qual a deputada faz parte.
Engano
Jorcelino Teixeira dos Santos foi nomeado em 3 de fevereiro para o CL 3 no gabinete do distrital Raad Massouh (DEM). Ficou pouco tempo, apenas cinco dias, com um fim de semana no meio, mas o suficiente para causar estranheza. Em dezembro do ano passado, descobriu-se que Jorcelino era caseiro de Manoel Neto, mas recebia salário de R$ 2,8 mil. Ele é casado com Sandra Ribeiro Soares, que era lotada no gabinete de Jaqueline com salário de R$ 12 mil, mas trabalharia como empregada doméstica da então distrital. Raad Massouh disse que a nomeação de Jorcelino foi um erro. “Trata-se de um equívoco da minha chefe de gabinete, Ana Maria, reconhecido por ela própria. Nunca vi essa pessoa, nem sabia da existência dela. Não mandei nomear nem exonerar. Penso que alguém tenha tentado plantar esse funcionário em meu gabinete. Mas não colou, pois o erro foi corrigido de um dia para o outro.”

A teia de apadrinhados é comprida e complexa. Leny Eiró Dias de Oliveira pertencia ao gabinete de Jaqueline Roriz e foi nomeada para trabalhar com Celina Leão. O marido de Leny, José Flávio de Oliveira, é o chefe de gabinete de Liliane Roriz. Pessoa da confiança de Joaquim Roriz, ele trabalhou como secretário de Assuntos Parlamentares do ex-governador, de quem foi tesoureiro na campanha.
Giselle Ferreira de Oliveira trabalhou com Jaqueline Roriz e hoje está com Washington Mesquita. Ela é filha de Vera Lúcia Ferreira, que é apontada por ex-colegas de ter agido como laranja no gabinete de Jaqueline. O caso está sob investigação. Poliana Oliveira Melo atua como secretária parlamentar no Bloco Avanço Democrático na cota de Olair Francisco. Na legislatura passada, Poliana foi uma das principais servidoras do gabinete de Jaqueline, tendo, inclusive, chefiado o gabinete da então distrital. A permanência dela na Casa, no entanto, não pode ser atribuída a Jaqueline. Poliana se desentendeu com Manoel Neto.
Olair ainda ficou com o espólio de Júnior Brunelli, que assim como Eurides Brito, saiu do cenário político por ter se envolvido no escândalo da Caixa de Pandora. Getúlio Soares Novaes Frota foi chefe de gabinete de Brunelli e agora trabalha com Olair. Esses são alguns dos casos em meio a muitos semelhantes. Sinal de que os deputados até passam, mas os laços continuam.

sábado, 26 de março de 2011

Em menos de três meses de mandato, três distritais estão sob suspeita.

Do CorreioWeb:

O ano mal começou e já foram encaminhadas à Câmara representações com pedido de investigação contra três distritais. Nenhum dos casos avançou, porém, porque a Mesa Diretora da Casa espera informações da Justiça e do Ministério Público

Publicação: 26/03/2011 07:00 Atualização: 26/03/2011 00:29
Em menos de três meses de legislatura, três distritais já são alvos de pedidos de investigação na Câmara Legislativa. Pesam contra Benedito Domingos (PP), Celina Leão (PMN) e Chico Vigilante (PT) denúncias de quebra de decoro parlamentar, que, se forem confirmadas, podem comprometer a continuidade do mandato deles. A punição mais rigorosa para deputados que descumprem as regras do Código de Ética é a cassação e a perda dos direitos políticos por oito anos. Para abrir um processo de apuração da conduta dos colegas, no entanto, é necessário que o comando da Casa dê o primeiro passo — medida que não ocorreu até hoje.

 As representações contra os parlamentares são protocoladas na Mesa Diretora da Câmara, que tem o poder de acatar ou não o pedido de investigação. Se pelo menos três dos cinco integrantes decidirem pela apuração, o caso é encaminhado à Corregedoria da Casa. Dependendo do parecer do corregedor, o assunto é levado à apreciação na Comissão de Ética, cujo relator do caso poderá sugerir punições desde uma simples advertência à cassação do mandato. 

O presidente da Casa, deputado Patrício (PT), justificou que as representações ainda estão paradas porque os integrantes da Mesa aguardam informações da Justiça e do Ministério Público do DF. “Para comentar um fato, é preciso ter informação. É bom que os deputados não façam juízo de valor. Porque muitos deles vão ser juízes”, afirmou ele, garantindo que os processos não serão arquivados nesta legislatura, a exemplo da passada, na qual quatro distritais envolvidos no escândalo da Caixa de Pandora — Benício Tavares, Rôney Nemer (ambos do PMDB), Aylton Gomes (PR), Benedito Domingos (PP) — foram absolvidos pelos colegas por “falta de provas”. 

Indiciamento 
A primeira representação a chegar à Casa, em 2011, foi contra Benedito Domingos. Reportagens do Correio publicadas este ano revelaram que o distrital foi indiciado pela Divisão Especial de Repressão aos Crimes contra a Administração Pública (Decap), da Polícia Civil, por fraude em licitação e formação de quadrilha. Ele é acusado de direcionar concorrências públicas, por meio de conluio político, para beneficiar empresas de familiares que prestavam serviço de decoração para eventos organizados pelo governo local. O suposto esquema ocorreu durante a gestão do ex-governador José Roberto Arruda. À época, Benedito era distrital, mas licenciou-se para chefiar a Administração Regional de Taguatinga. 

Em 21 de fevereiro, o advogado Milton Lopes Machado Filho pediu que as acusações fossem investigadas pela Corregedoria da Câmara. Antes disso, em 26 de janeiro, ele tinha protocolado representação solicitando a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), mas a Procuradoria da Câmara rejeitou a proposta alegando vício de iniciativa. Um dos trechos da nova representação diz que “existem fortes e irrefutáveis indícios de que o parlamentar (Benedito) firmou, utilizando de tráfico de influência, achaque, prevaricação, corrupção ativa e passiva, entre outros crimes, para dilapidar o patrimônio público”. O caso está com a Mesa Diretora. Questionado, Benedito limitou-se a dizer que não tem o que temer. “Não tenho porque temer nada disso que estão fazendo. É tudo fofoca”, minimizou. 

Os deputados receberam, na última semana, o inquérito sobre o caso de Benedito e ainda estão avaliando seu teor. “Chegaram calhamaços de processo que levam tempo para serem analisados. É muito ruim julgar uma pessoa eleita no calor da confusão”, disse o segundo secretário da Casa, Cristiano Araújo (PTB). O vice-presidente, Dr. Michel (PSL), argumentou que a Mesa “não pode entulhar a Corregedoria de papéis”, antes de averiguar melhor a situação de cada deputado alvo de investigação. O primeiro secretário, Raad Massouh (DEM), ressaltou, por meio da assessoria de imprensa, que “tudo deve ser investigado logo, para que não haja injustiça com nenhum dos envolvidos”.  

Casos recentes 
Os pedidos de abertura de processo de quebra de decoro contra Celina Leão e Chico Vigilante estão em fase inicial. As representações contra eles foram protocoladas na última semana. Vigilante é autor da iniciativa para apurar a participação de Celina num suposto esquema de fraude em licitações e contratação de funcionários fantasmas à época em que ela era chefe de gabinete da ex-distrital Jaqueline Roriz (PMN). De denunciante, o petista tornou-se alvo de denúncia. Estanley de Almeida Leite protocolou documento questionando o fato de o petista ter como financiador de campanha de 2010 a Engebrás, empresa apontada como uma das beneficiárias de licitações para instalação de radares e lombadas eletrônicas. Eles negam todas as acusações.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Em Minas, adolescente é esfaqueado dentro de escola

Do UOL: Belo Horizonte - Um adolescente de 16 anos morreu na manhã de hoje depois de ter sido esfaqueado dentro da escola. O crime ocorreu em Juiz de Fora (MG). O acusado é um colega da vítima, também de 16 anos, que foi apreendido e encaminhado para a Polícia Civil.
Segundo a Polícia Militar (PM), na tarde de ontem, os dois rapazes brigaram dentro da Escola Estadual Estêvão de Oliveira. No fim das aulas, a vítima deixava a instituição quando foi surpreendida pelo colega, que deu três facadas no tórax da vítima.
Um professor teria testemunhado o crime e tomado a faca do rapaz, que fugiu. A vítima foi levada para o Hospital de Pronto-Socorro (HPS), onde foi submetido a uma cirurgia, mas não resistiu aos ferimentos. O suspeito foi encontrado pela PM, já à noite, e levado junto com a mãe para uma delegacia.
Na terça-feira, 22, um aluno já havia sido encontrado com um revólver carregado dentro da Escola Estadual Carlos Drummond de Andrade, no bairro Jardim Felicidade, região norte de Belo Horizonte. Cinco dias antes, um adolescente de 14 anos foi apreendido na Escola Estadual Professora Amélia Guimarães, na região nordeste da capital, depois de dar um tiro dentro da sala de aula. O rapaz levou a arma do pai, militar, para "assustar" um colega com quem havia brigado.

Alta rotatividade de bancários faz salários achatarem, diz pesquisa.

Cristiano Zaia - CorreioWeb

25/03/2011 10:28

Estudo sobre emprego no setor, feito pelo Dieese, também constatou que 49% dos funcionários que perderam uma vaga de trabalho pediram demissão
Mesmo que o saldo entre empregados e demitidos no setor bancário tenha crescido 5,2% no ano passado, a média de salário dos que conseguiram uma vaga de trabalho foi 37% menor que a dos que perderam o emprego. Tal desvalorização salarial é fruto da alta rotatividade principalmente nos postos de trabalho mais baixos. Essa é a conclusão da Pesquisa de Emprego Bancário, realizada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) em parceria com a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf), com base em dados do levantamento mensal Caged, do Ministério do Trabalho e Emprego.

A remuneração média dos admitidos no ano passado foi de R$ 2.188,43 contra R$ 3.506,88 dos desligados. Segundo estudo, todas as faixas de pagamento superior a quatro salários mínimos apresentaram saldo negativo.

“Como tem muita gente entrando no mercado de trabalho com salário baixo, a média do setor não cresce. A rotatividade do setor está entre 8% e 9%, tem aumentado desde 2008, mas em comparação com outros setores da economia é menor”, diz o economista do Dieese e responsável pela pesquisa, Miguel Huertas, que associa a grande rotatividade profissional à pressão exercida sobre os bancários por cumprimento de metas de vendas e desempenho cada vez mais austeras, o que tem levado ao aumento do assédio moral nos bancos.

Essa grande saída de empregados é evidenciada num importante indicador da pesquisa do Dieese. Dos 33.418 bancários que perderam o emprego em 2010, 49% pediram demissão. Essa insatisfação é justificada por ofertas de emprego melhores, mas principalmente pela pressão de gerentes. Para o secretário geral da Contraf, Marcel Barros, a constante troca de bancários é usada como mecanismo pelos bancos para cortar despesas. “O banco prefere demitir funcionários mais experientes na casa dos 40, 50 anos de idade, e que recebem maiores salários, para contratar mais pessoas com vencimentos menores.”

Mercado de trabalho
O Contraf contabiliza que cerca de 400 mil bancários atuem hoje no Brasil. Contudo, na década de 1990, eles somavam aproximadamente 1 milhão. Para o pesquisador Huerta, do Dieese, essa redução ao longo dos anos deu-se por conta da automação pela qual viveu o setor nas últimas duas décadas, então todo o trabalho interno foi automatizado. “Antes a atividade bancária estava voltada sobretudo para o crédito e à aplicação de títulos públicos de dívida. A partir de 1995, os bancos começaram a cobrar tarifas e passaram a vender produtos, então precisaram de mais força de trabalho. Dessa forma, o emprego volta a crescer”, analisa ele.

A tendência do setor bancário para 2011 é incrementar a oferta de emprego no mesmo patamar do ano passado, já que a expectativa de crescimento para a concessão de crédito, principal produto bancário, é de 10% a 15% com relação a 2010, mesmo com as medidas do Banco Central de restrição ao crédito. No ano passado, as seis maiores instituições bancárias do país (Banco do Brasil, Caixa, Bradesco, Itaú/Unibanco, Santander e HSBC) tiveram um lucro líquido de R$ 43 bilhões, o que representou um crescimento de 30% sobre o obtido em 2009.

“É positivo o fato de a geração de emprego crescer no Brasil, mas à medida que melhora a economia nacional, o sistema financeiro passa a demandar mais trabalhadores. No entanto, desde 2009, os bancos vêm trocando constantemente seus empregados”, afirma Barros, da Contraf. Ele acredita que a crescente corrida dos bancos em busca de maiores rentabilidades tenha afetado consideravelmente na relação de trabalho entre patrões e empregados.

A situação no Distrito Federal, porém, é um pouco diferente, como destaca o diretor do Sindicato dos Bancários do DF, Eduardo Araújo. Ele explica que na capital federal, como há uma maior incidência de empregos públicos, a maioria dos bancários estão alocados em bancos estatais como Banco de Brasília (BRB), Caixa e Banco do Brasil, onde a demissão ocorre em escala quase nula. O sindicato local estima em 25 mil o contingente de profissionais lotados em bancos.

“O efeito da rotatividade no DF é menor por conta da influência dos bancos públicos. Em 2009, ano de crise econômica mundial, a Contraf firmou um acordo coletivo com os dois principais bancos federais, segundo o qual o BB se comprometeu a contratar 10 mil bancários e a Caixa, outros 5 mil. Para este ano, apenas o BB anunciou uma expectativa de aumentar em 4% seu quadro nacional de funcionários.”

Arruda denuncia Chico Leite


Do iG: O ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda (ex-DEM) afirmou à Justiça que o deputado distrital Chico Leite (PT) participou do esquema de corrupção revelado pela Operação Caixa de Pandora da Polícia Federal. É o primeiro parlamentar petista citado no escândalo. O iG obteve acesso a trechos do depoimento do ex-governador, prestado depois da eleição de 2010.
Arruda contou que Chico lhe pediu dinheiro em reunião realizada na casa do ex-procurador-geral do Distrito Federal Leonardo Bandarra. Ele é acusado de cobrar R$ 1,6 milhão de Durval Barbosa, delator do esquema. Em troca, o então procurador-geral tinha de blindar o governo contra investigações e fornecer informações privilegiadas. O petista confirma o encontro, mas nega ter sido beneficiado.
Deputado distrital em segundo mandato, Chico Leite é promotor de Justiça desde 1989 e colega de Bandarra no Ministério Público. Afastado do cargo, ele se elegeu pela primeira vez em 2003 pelo PC do B. Em 2006, migrou para o PT. Em 2010, tinha planos de se lançar candidato ao Senado.
‘Eu tive vários encontros na casa dele (Bandarra), sempre chamado por ele. Eu diria que três ou quatro. Eu me recordo muito bem de dois. Um, onde estava o deputado Chico Leite pedindo dinheiro para campanha’, disse, de acordo com trechos do depoimento de Arruda à Justiça.
O iG entrou em contato com os escritórios de advocacia que defendem Arruda e Bandarra no processo, mas nenhum deles apresentou resposta até a publicação desta reportagem.
Leite queria concorrer ao Senado
Leite não concorreu ao Senado por falta de espaço no PT. O partido lançou uma chapa em parceria com o PDT e o PSB. Ex-colega de Leite no PC do B, Agnelo Queiroz (PT) disputou o cargo de governador. Os candidatos ao Senado do grupo foram Cristovam Buarque (PDT) e Rodrigo Rollemberg. Todos foram eleitos.
O ex-governador afirmou que o deputado reclamou do PT na conversa realizada casa de Bandarra: ‘Chico Leite fez uma série de críticas ao partido dele, as divisões internas, enfim, que gostaria de sair candidato ao Senado e para isso precisava de espaço na imprensa e dinheiro para campanha’.
Segundo Arruda, o encontro foi intermediado pelo então secretário da Casa Civil, José Geraldo Maciel. O ex-governador afirma que delegou a Maciel as negociações com Chico Leite. ‘(…) após esse encontro o meu chefe da Casa Civil e o deputado Chico Leite tiveram vários outros encontros, eu acho que não preciso entrar no detalhe (…)’, afirmou
O ex-governador deixou claro que Bandarra estava ajudando Chico Leite. ‘O encontro foi marcado para isso’, disse. ‘Inclusive vamos dizer, as ajudas que o deputado pediu, algumas delas foram dadas posteriormente. Não todas da maneira que ele queria’, ressaltou Arruda, de acordo com trecho obtido pelo iG.
Arruda quer delação premiada
Desde o fim do ano passado, especula-se em Brasília que Arruda busca um acordo de delação premiada para apontar políticos nacionais que receberam recursos do esquema revelado no fim de 2009. Até agora nunca havia sido aventada a participação de um integrante do PT.
Os advogados de Arruda ainda sustentam que ele é inocente. Os trechos do depoimento lidos por esta reportagem denotam que Arruda está disposto a ajudar. ‘Eu já perdi tudo que eu tinha que perder, eu agora vou me pautar absolutamente pela verdade (…)’, disse.
Na semana passada, as revistas “Veja” e “Época” publicaram entrevista de Arruda em que o ex-governador afirma ter ajudado financeiramente e politicamente os integrantes do DEM, seu ex-partido, como deputado ACM Neto (BA) e o senador José Agripino (RN). Todos negaram as acusações.

Câmara rejeita atestado de Jaqueline Roriz


Do Correio BrazilienseA deputada federal Jaqueline Roriz (PMN-DF) tentou apresentar novo atestado médico na noite de quinta-feira (24), mas o documento não foi aceito pelo departamento médico da Câmara dos Deputados. A nova licença de saúde foi assinada por um psiquiatra, mas não especificava o período exato de afastamento. Segundo a assessoria da Casa, havia apenas a data de início, sem referência ao retorno de Jaqueline aos trabalhos. Desde segunda-feira, a deputada tem acompanhado o pai, Joaquim Roriz (PSC), em São Paulo para a realização de procedimentos médicos.
Jaqueline havia apresentado o primeiro atestado no dia 14, emitido pelo Instituto do Coração Dom Eugênio de Araújo Sales, no Rio de Janeiro. Ela precisou se afastar da atividade parlamentar para “acompanhamento ambulatorial”. No entanto, o departamento médico da Câmara também não admitiu o documento como única comprovação do problema de saúde e solicitou um relatório circunstanciado do médico responsável. Caso não apresente, Jaqueline terá de ser submetida à avaliação de uma junta médica da Casa. A assessoria da deputada confirmou o pedido de nova licença médica e disse que está providenciando o laudo solicitado.